Dicas de DireitoOAB

Ensino jurídico e Tecnologia: como se adaptar ao novo mundo?

ensino jurídico e tecnologia

Assim como em todo o mercado de trabalho, as profissões relacionadas ao Direito também são afetadas pelos novos aparatos tecnológicos. Nesse sentido, como ensino jurídico e Tecnologia se relacionam?

Cada vez mais, escritórios de advocacia e, por consequência, advogados, usam softwares de gestão, raspagem e análise de dados, organização, entre outros, para executar seu trabalho no dia a dia.

Essa adesão à tecnologia facilita o cotidiano e diversos processos, visto que o empregado consegue mais disponibilidade para lidar com questões que a tecnologia dá conta sozinha.

Somado a isso, os clientes também ganham, na medida que processos mais simples podem ser solucionados com muito mais facilidade.

No entanto, esse uso tecnológico precisa começar a já ser implementado durante a faculdade, para que assim o estudante esteja pronto para o mercado de trabalho. Mas como fazer isso?

Com base na pesquisa Tecnologia, Profissões e o Ensino Jurídico da Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV-SP), neste post, traremos algumas soluções para alinhar ensino jurídico e Tecnologia, além de uma perspectiva de como os escritórios de advocacia têm lidado com a inovação.

Como os escritórios de advocacia lidam com a tecnologia?

Na etapa quantitativa do Projeto Tecnologia, Profissões e o Ensino Jurídico, os pesquisadores entrevistaram profissionais de 403 escritórios de advocacia, sendo 109 sorteados a partir da lista dos 500 escritórios mais admirados, elaborada pela Revista Análise (Edição 2017).

Os outros 294 escritórios foram sorteados a partir da uma lista de 6.675 escritórios de advocacia de todas as regiões e maiores cidades do país, elaborada especialmente para a pesquisa. Além disso, todos os escritórios escolhidos tinham ao menos três advogados.

A partir dessas entrevistas, a pesquisa chegou a três principais resultados:

  1. Há desigualdades significativas no uso de tecnologia, geralmente explicadas pelo porte dos escritórios, medido em número de advogados atuantes.
  2. O uso mais disseminado de tecnologia contempla apenas ferramentas básicas de organização e cadastro de informações (softwares de gestão financeira e processual) e não ferramentas avançadas que auxiliem a própria atividade jurídica (como softwares de geração automática de documentos).
  3. Há amplo espaço para implementação de ferramentas tecnológicas avançadas, diante dos indícios de alta repetitividade dos trabalhos, que se verificam na presença frequente do contencioso de massa entre as atividades dos escritórios e no uso disseminado de modelos.

Quais são os softwares mais utilizados nos escritórios de advocacia?

Segundo a pesquisa, os softwares de gestão processual são os mais utilizados, correspondendo a 77% dos escritórios consultados.

Ainda de acordo com o estudo, o uso tende a crescer conforme a quantidade de empregados da empresa, chegando a até 90% para 15 advogados ou mais.

Em seguida, o software mais usado é o de gestão financeira, correspondendo a 53% da pesquisa. Muitos utilizam o mesmo software em casos que ele tem ambas as funções.

Outro dado que chamou a atenção é que apenas 62% dos escritórios utilizam bancos de dados de jurisprudência que não estão disponibilizados nos sites dos Tribunais.

Os bancos de dados de doutrina também são pulverizados. Apenas 51% dos entrevistados costuma utilizá-los.

Uma possível explicação para isso, levantada pela pesquisa, é que não há a preocupação com busca sistemática em temas de interesse, mas sim busca da doutrina favorável aos interesses para cada caso concreto.

Mais agilidade é o ganho principal com adesão da Tecnologia

O estudo da FGV define infraestrutura tecnológica avançada como “aquela diretamente relacionada à automatização ou auxílio na realização de tarefas propriamente jurídicas”.

Nesse contexto, softwares com essa função demonstraram serem os menos utilizados na pesquisa, com apenas 26% de uso para a geração automática de documentos.

No entanto, 65% dos entrevistados considera que essa adesão e integração do jurídico com a Tecnologia já está ocorrendo e 60% a vê como muito importante.

Além disso, os efeitos para quem usa foram considerados apenas positivos, de forma a notarem maior agilidade no trabalho cotidiano.

Inclusive, a maior agilidade nos processo, trabalho e ganho de tempo foi visto como o ganho mais positivo no uso dos softwares por 40% dos entrevistados.

Em seguida, veio facilidade e agilidade nas pesquisas, acesso às informações, gestão da informação e centralização (21%) e organização e otimização (15%).

Mas como ficam ensino jurídico e tecnologia nessa história toda?

ensino jurídico e tecnologia

Ensino jurídico e Tecnologia: por onde começar?

Se a etapa quantitativa da pesquisa procurou escritórios de advocacia, a etapa qualitativa entrevistou 35 organizações consideradas desbravadoras tecnológicas no meio jurídico, de acordo com os critérios levados em conta pela pesquisa.

Em conclusão, foram identificados três desafios que afetam ensino jurídico e tecnologia:

  • Profissionais da área jurídica frequentemente deverão trabalhar em equipes multidisciplinares (engenheiros, cientistas da computação, administradores etc.)
  • O serviço jurídico não deve se limitar apenas ao seu conteúdo jurídico, mas também aos seus componentes tecnológicos (plataforma, sistemas, aplicações etc.)
  • Necessidade de repensar a estrutura das organizações jurídicas, em especial escritórios de advocacia, de modo a torná-los mais receptivos à experimentação de produtos e adaptação de serviços.

O profissional do Direito do futuro, portanto, precisa ter também conhecimentos mínimos de programação, vocábulos tecnológicos, além de trabalhar bem com outros profissionais.

A troca de vocabulários entre esses profissionais também será de extrema importância nessa transformação.

Também serão importantes as habilidades de leitura e interpretação de dados por parte dos profissionais do Direito, de forma que consigam elaborar soluções estratégicas para seus clientes, de acordo com os problemas apresentados.

Ensino jurídico e tecnologia: quem precisa aprender?

Ao contrário do que se pode pensar, não apenas estudantes devem estar cientes desses desafios, mas também quem já atua no mercado.

Inclusive, o estudo da FGV identificou que é mais fácil para os advogados aprenderem um pouco de programação, do que programadores se especializarem na linguagem jurídica.

Por esse motivo, para implantar ensino jurídico alinhado à Tecnologia, a pesquisa identificou que será necessário, nas faculdades, a criação de programas, disciplinas e laboratórios. O intuito deveria ser o desenvolvimento de:

  • Habilidades de estruturação de projetos tecnológicos
  • Domínio de termos e da lógica subjacente de novas tecnologias
  • Capacidade de tradução de termos jurídicos para estruturas técnicas
  • Criatividade na construção de soluções para problemas complexos

Você sabia que o software da EduQC já trabalha com ensino jurídico e Tecnologia para preparação para a prova da OAB? Conheça aqui!

Deixe um comentário