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7 carreiras no Direito além do concurso público e da OAB

carreiras no direito

A princípio, é comum que estudantes e graduados pensem que as únicas opções de carreiras no Direito são atuar como advogado ou ser aprovado em concurso público.

No entanto, a revolução tecnológica impactou também o universo jurídico, de forma que criou e ainda cria novas profissões.

Segundo uma pesquisa realizada pelo Institute for the Future (IFTF) para Dell Technologies, 85% das profissões que existirão em 2030 ainda não foram criadas. Ou seja, a hora de pensar no futuro é agora.

Inclusive, novas carreiras no Direito já são uma possibilidade.

Tema foi discutido no Congresso Internacional de Direito Uniptan

Foi o caso da advogada, empreendedora jurídica e fundadora do Na Trilha do Direito, Priscila Brandão. Depois de largar uma posição já consolidada em um escritório de advocacia, ela passou por uma transição profissional e atualmente mentora alunos para novas carreiras no Direito.

De acordo com a especialista, o Direito tradicional é reativo, isto é, focado em solucionar problemas depois que eles acontecem.

O mercado atual exige que uma visão mais sistêmica, voltada para novas perspectivas e desafios através do uso de ferramentas tecnológicas e novos processos para alavancar o conhecimento legal. Além da criação de novos produtos e serviços jurídicos.

Marketplace, legal techs, softwares de gestão e taxtechs são apenas algumas das opções para os profissionais do Direito terem em mente, apontadas por Priscila Brandão em uma palestra no II Congresso Internacional de Direito Uniptan/Afya.

Novas carreiras no Direito

Durante a palestra da advogada Priscila Brandão, algumas dessas novas carreiras no Direito foram citadas.

Reunimos informações daquelas que mais aparecem em alta e listamos nesse post para você ficar por dentro.

#1 DPO

Depois da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) entrar em vigor, o Data Protection Officer (DPO) passa a ser ainda mais importante. Ele é o responsável por tratar da proteção dos dados dos usuários, sejam clientes de uma determinada empresa ou funcionários.

O profissional na posição de DPO deve ser alguém que entenda tanto de segurança de dados e quanto de legislação. Portanto, dentre as carreiras no Direito, o cargo é ideal para bacharéis com experiência e entendimento em tecnologia.

A profissão também consta no Regulamento Geral de Dados da União Europeia (GDPR), que foi inspiração para a LGPD.

Segundo o Art. 5º, ele é “a pessoa indicada pelo controlador e operador para atuar como canal de comunicação entre o controlador, os titulares dos dados e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).”

Ou seja, além de proteger os dados, cabe ao DPO, quando necessário, também ser a ponte entre empresa e governo.

Ainda de acordo com a lei, o Art. 41º lista entre suas funções:

  • Aceitar reclamações e comunicações dos titulares, prestar esclarecimentos e adotar providências
  • Receber comunicações da autoridade nacional e adotar providências
  • Orientar os funcionários e os contratados da entidade a respeito das práticas a serem tomadas em relação à proteção de dados pessoais
  • Executar as demais atribuições determinadas pelo controlador ou estabelecidas em normas complementares

O DPO também precisa ter identidade e informações de contato divulgadas publicamente, de forma clara e objetiva, no site do controlador, ou seja, a empresa para qual trabalha.

O cargo do DPO também pode ser terceirizado, isto é, não precisa ser necessariamente um empregado da empresa. O encarregado pela posição pode ser uma pessoa física ou jurídica ou, até mesmo, mais de uma pessoa.

#2 Cientista de dados jurídicos

Em resumo, o cientista de dados jurídicos, como o próprio diz, é o responsável por lidar com dados de natureza jurídica. Ele reúne, interpreta e comunica a informação obtida na extração desse material.

Por exemplo, esse profissional pode atuar tanto em escritórios de advocacia, departamentos jurídicos ou em lawtechs.

Assim como no caso do DPO, não é necessária nenhuma formação em Tecnologia ou Ciência de Dados.

No entanto, é importante que o interessado tenha conhecimento de áreas como Matemática, Estatística, Machine Learning e linguagens de programação, tudo isso alinhado com a prática jurídica.

Na internet, é possível encontrar diversos cursos gratuitos sobre a função, inclusive de universidades estrangeiras como Stanford e o MIT.

#3 Engenheiro e arquiteto jurídico

O engenheiro e o arquiteto jurídico, dentro das novas carreiras no Direito alinhadas à tecnologia, tem a função de organizar a casa. Entre tantos dados que são gerados diariamente, eles são os responsáveis por estruturar o conhecimento de forma lógica.

Para isso, podem ser utilizados fluxogramas e árvores de decisões e o mapeamento de possíveis cenários jurídicos, processos e operações.

Com esse conhecimento estruturado pelo arquiteto jurídico, cabe ao engenheiro jurídico unir suas habilidades de jurista e programador para desenvolver sistemas capazes de exercer atividades repetitivas que os advogados já fazem, mas que podem ser automatizadas.

Da mesma maneira que as outras profissões já citadas, esse alinhamento das carreiras do Direito com a tecnologia permite soluções muito mais preventivas do que reativas. Ou seja, o profissional já atuando antes mesmo de um problema acontecer.

A ideia não é que as máquinas substituam os advogados. Mas sim que, ao automatizar o conhecimento, o profissional possa ter noção de todos os cenários possíveis antes de tomar uma decisão.

Além disso, ficar mais livre para outras questões em que a mente humana é imprescindível.

#4 Agente de propriedade intelectual

Uma das carreiras no Direito que que têm ganhado cada vez mais destaque é a do agente de propriedade intelectual.

Principalmente em meio a tantas iniciativas de inovação, se faz necessário um profissional capaz de gerir os direitos autorais e o direito de propriedade industrial. Junto com as empresas, cabe a esse profissional acompanhar o registro de marcas e patentes.

Com o surgimento de tantas startups e novas ideias, surge mais uma oportunidade para o profissional que quer investir em novas carreiras no Direito. Afinal, essas empresas também precisam assegurar a proteção da sua propriedade intelectual.

Uma empresa com um agente de propriedade intelectual tem mais segurança, pois, além de ter sua marca protegida por lei, pode até mesmo ter mais facilidade na captação de investimentos justamente devido a essa preocupação.

#5 Legal Designer

Com inspiração no design thinking, a função do legal designer é solucionar problemas, facilitar o acesso e entendimento de informações e serviços e sanar possíveis dores. Em suma, na advocacia, a ideia por trás das profissões dentro das carreiras do Direito é facilitar a vida do cliente.

Por exemplo, isso pode ser feito ao mudar a estrutura de nos padrões de um contrato ou relatório. Nesse caso, podem ser apresentados para o cliente infográficos ou imagens que o ajudem a compreender a informação que o advogado precisa lhe passar.

Uma outra forma de fazer esse trabalho é através de softwares jurídicos.

Além do Direito, o profissional que deseja atuar como legal designer também deve ter conhecimentos de design, UX design, design thinking e UX writing, assim como noções de visual thinking.

#6 Marketing jurídico

Dentro do que é estabelecido pelo código de ética da OAB, o marketing jurídico também é uma possibilidade para profissionais que buscam carreiras no Direito inovadoras.

Isso porque, quando feito por quem entende dos dois assuntos – Marketing e Direito – é uma excelente oportunidade de alavancar os negócios.

Um profissional formado em Direito, ao atuar no marketing dentro da área, pode proporcionar uma visão muito mais focada no exercício da profissão. Ele será alguém capaz de produzir um conteúdo relevante e bem direcionado.

Como já é de se esperar, além do Direito, o profissional que deseja atuar com marketing jurídico precisa ter conhecimentos de marketing.

#7 Controladoria e Legal Operations

Semelhante à Controladoria, o setor de Legal Operations é um pouco mais amplo dentro das carreiras do Direito. Via de regra, uma Controladoria abrange controle de audiências, publicação de processos, entrada e saída de documentos, entre outras atividades.

Já o Legal Operations cuida de tudo, desde fluxos de trabalho, processos internos a pessoas, deixando para o Departamento Jurídico apenas o que é legal e de ação imprescindível de advogados.

A ideia é, justamente, deixar o jurídico trabalhar com o que é unicamente do setor. Apesar do profissional de legal operations não precisar da graduação em Direito, aqui também os conhecimentos na área são fundamentais.

 

Deixei nos comentários quais outras carreiras no Direito você gostaria de conferir na EduQC!

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