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Cebraspe: entenda seu método de correção

Por fevereiro 12, 2016outubro 7th, 2020Sem comentários
Cebraspe

A banca organizadora Cebraspe é popularmente conhecida pelo seu método diferente de correção de provas.

De acordo com o próprio Cebraspe (antigo Cespe/UnB), a anulação de um item correto para cada resposta incorreta, caso o candidato responda uma questão errada, existe para descartar a possibilidade de acerto ao acaso.

“O procedimento é justificável em um processo que visa selecionar o candidato com melhor capacidade de analisar, interpretar e responder a partir do que aprendeu, descartando o ‘chute'”, explica a banca em seu site.

É, portanto, uma segurança a mais de que a classificação no processo se deve ao desempenho individual do candidato e não à sorte, dizem os responsáveis pela banca.

Nesse caso, isso só faz sentido para o chute completamente aleatório, mas, na prática, as chances de acerto são normalmente maiores que 50%. Especialmente para candidatos mais proficientes.

O real motivo do modelo de correção

O que o Cebraspe quer, na verdade, é evitar que questões de baixa discriminação, esse é o termo técnico da Teoria da Resposta ao Item, sejam respondidas.

O objetivo da prova é eleger os melhores candidatos, mas nem todas as questões cumprem bem esse papel (as ditas questões de baixa discriminação). Então, para o examinador, o melhor é estimular a não resolução dessas questões.

O problema é que existe um mito, difundido repetidamente por professores, de que não se deve “chutar”. Ou, então, citam “técnicas ninjas” de chute. A análise estatística dessas “bruxarias” mostra que elas não funcionam!

O candidato deve estar atento: já mostramos que, mesmo uma questão errada anulando uma certa, o candidato deve sempre marcar todas as alternativas.

O que o Cebraspe pode fazer para atingir seu objetivo?

De forma resumida, as questões de maior discriminação avaliam melhor. Idealmente, o examinador gostaria de aplicar apenas questões desse tipo. Mas na prática é muito difícil calibrá-las sem comprometer a segurança.

Tipicamente, as piores questões (de mais baixa discriminação) terminam anuladas. As demais, a banca tenta diminuir suas relevâncias divulgando o mito de que não compensa “chutar”.

Quando os candidatos entenderem que não faz sentido deixar nenhuma questão em branco, a única saída para o Cebraspe será mudar os editais de forma que uma errada anule duas certas.

Perceba que, para os candidatos de elite, mesmo uma errada anulando duas certas, a melhor estratégia é responder todas as perguntas! Para proficiências menores, deixar questões em branco é estatisticamente mais sensato.

Veja que para os piores candidatos a melhor estratégia é deixar a prova em branco, o que provavelmente é a razão dessa metodologia ainda não ser adotada.

Embora melhore a escolha dos melhores candidatos (objetivo do certame), essa abordagem traria distorções no resto da curva de resultado, o que seria muito difícil de explicar aos candidatos.

Matematicamente, o candidato deve analisar se suas chances de acerto são superiores a 33%. Esse processo é extremamente complexo e está diretamente ligado à proficiência.

Portanto, candidatos menos proficientes não só possuem menor chance de acertar as questões, mas também são menos capazes de separar as questões “fáceis” das “difíceis”.

Para finalizar, esse mau conselho do não chute (ou de “técnicas” de chute) é apenas um entre muitos mitos difundidos atualmente, infelizmente até por bons professores.

O problema é que passar em concurso não está ficando mais fácil, e, cada vez mais, os melhores candidatos estão contando com a ciência para ajudá-los.

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